O que as cidades podem aprender com projetos de desenvolvimento urbano focados em energia renovável?
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim esclarece que as cidades brasileiras chegaram a um ponto de inflexão energético. De um lado, a urbanização não para de crescer e as edificações já respondem por uma fatia enorme do consumo de eletricidade do planeta. De outro lado, surge uma pressão inédita sobre as redes, alimentada pela explosão de data centers e pela demanda de inteligência artificial, que transforma energia em tema central do planejamento urbano.
O debate ganhou corpo em 2026. Encontros como o Smart Cities Mundi, no Rio de Janeiro, colocaram na mesa uma pergunta que até pouco tempo soava distante: como preparar municípios para operar no limite energético, com redes pressionadas, planos diretores defasados e uso do solo disputado entre moradia e infraestrutura digital. Continue a leitura e veja que a resposta, cada vez mais, aponta para projetos urbanos que tratam a energia renovável não como enfeite, mas como espinha dorsal.
Cidades no limite energético
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim frisa que o recado dos especialistas em 2026 é direto: a expansão da IA e dos data centers está colocando as redes elétricas sob tensão real, e os municípios precisam se preparar. Isso significa reservar zonas para infraestrutura digital, atualizar planos diretores e pensar a matriz local antes que a demanda chegue. A cidade que ignora esse movimento corre o risco de virar gargalo do próprio crescimento.
A boa notícia é que a energia renovável oferece parte da solução. Geração solar distribuída em telhados públicos e privados, integração de fontes limpas à malha urbana e sistemas de armazenamento aliviam a pressão sobre as redes e descentralizam a produção. O desafio é de planejamento: sem leitura técnica e dados confiáveis, o investimento vira remendo, não estratégia.
O que os bairros planejados ensinam sobre energia?
Talvez a lição mais clara venha dos empreendimentos pensados do zero com sustentabilidade no DNA. Bairros-modelo, como experiências em curso na região metropolitana de Florianópolis, mostram que é possível combinar lotes, comércio, áreas verdes e eficiência energética desde o traçado inicial. Em Pinhais, na Grande Curitiba, um antigo autódromo dá lugar a um bairro planejado sob princípios de caminhabilidade, uso misto e valorização dos espaços públicos, com entregas previstas a partir de 2026.
Para Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, está aí a lição central: energia renovável rende mais quando entra no projeto urbano, e não depois dele. Posicionar edifícios para aproveitar luz natural, prever geração local, reduzir deslocamentos e integrar mobilidade limpa são decisões que custam pouco no papel e muito quando deixadas para depois. A cidade que aprende com esses casos economiza energia antes mesmo de gerá-la.
Edifícios que geram a própria energia
A construção é peça-chave dessa equação, porque é nas edificações que boa parte do consumo urbano se concentra. Empreendimentos com certificações como o LEED já demonstram, no Brasil, que é viável reduzir o consumo de água e energia, melhorar o conforto térmico e incorporar fontes renováveis sem abrir mão de desempenho. O selo deixou de ser vaidade de marketing para se tornar critério de valor de mercado.

A leitura de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim é a de que a eficiência energética de um edifício se decide na engenharia, muito antes da inauguração. Orientação solar, escolha de materiais, sistemas de gestão de consumo e preparação para geração própria são definições de projeto, e replicá-las em escala urbana exige que prefeituras e construtoras conversem desde o início, e não apenas na hora de aprovar a planta.
Mobilidade elétrica e redes inteligentes andam juntas
Outra lição vem da forma como cidades inteligentes tratam mobilidade e energia como um sistema único. A eletrificação do transporte deixa de ser nicho e passa a integrar o planejamento, com planos diretores que já preveem pontos de recarga em novos empreendimentos. Quando os veículos elétricos se conectam a redes inteligentes, abrem-se possibilidades, como usar a frota carregada para armazenar energia barata e devolvê-la à rede nos horários de pico.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim considera que Curitiba modernizou seu sistema de transporte com plataformas digitais e usa inteligência artificial na central de trânsito; o Rio de Janeiro avança em parcerias para se tornar referência em IA aplicada à gestão urbana. São sinais de que a infraestrutura física e a digital precisam ser planejadas em conjunto, sob pena de uma anular o ganho da outra.
A cidade que aprende a gerar o próprio futuro
A pergunta que abre este texto talvez se responda por inversão: as cidades não aprendem apenas a usar energia renovável, elas aprendem a se planejar de forma diferente por causa dela. Bairros pensados do zero, edifícios que produzem o que consomem e redes que conversam com a mobilidade mostram um caminho em que sustentabilidade e eficiência deixam de ser metas isoladas e viram método de projeto. O Brasil tem exemplos suficientes para parar de improvisar e começar a replicar.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim conclui que o município que entender energia como infraestrutura estratégica, e não como custo a cortar, será aquele com mais condições de crescer sem comprometer quem virá depois, transformando o debate de hoje no padrão urbano dos próximos anos.




