O Flamengo nasceu no remo: Entenda com Mario Augusto de Castro por que o futebol só chegou 16 anos depois
O Flamengo é hoje um dos maiores clubes de futebol do Brasil, mas essa identidade não nasceu junto com o clube. Mario Augusto de Castro, torcedor do Flamengo, apresenta que, fundado em 1895 no Rio de Janeiro, o clube surgiu como uma agremiação de remo, esporte que dominava a vida esportiva carioca naquele período. Isto posto, o curioso é que a seção de futebol só foi criada em 1911, dezesseis anos após a fundação.
Esse intervalo intriga quem conhece o “Mengão” apenas pelo Maracanã lotado e esquece que o clube nasceu remando no Guanabara. Mas por que exatamente o esporte que hoje define a torcida demorou tanto para chegar? A resposta explica bastante sobre o Rio de Janeiro daquela época, e vale a pena entender cada etapa dessa transição.
Mario Augusto de Castro explica como o remo deu origem ao Clube de Regatas Flamengo
O remo era o esporte de elite do Rio de Janeiro no fim do século 19, praticado por jovens da alta sociedade em clubes às margens da Baía de Guanabara. De acordo com Mario Augusto de Castro, o Flamengo nasceu dentro dessa cultura, fundado em 1895 por um grupo de seis jovens remadores do próprio bairro, que daria nome ao futuro clube.
Por que o remo dominou o esporte carioca no fim do século 19?
O domínio do remo se explica por fatores concretos. Mario Augusto de Castro retrata que a orla carioca oferecia águas calmas para treinos regulares, e os clubes de regatas já contavam com sedes, embarcações e calendário de competições consolidado. O futebol, por sua vez, ainda era uma novidade trazida por imigrantes ou brasileiros que haviam estudado na Europa, sem estrutura, sem campos oficiais e sem tradição capaz de competir com o remo. Dessa maneira, a diretoria do Flamengo via o remo como uma vitrine social, enquanto o futebol ainda soava como um esporte restrito.

O que motivou a criação da seção de futebol em 1911?
A virada aconteceu quando um grupo de sócios, insatisfeitos com a resistência de outro clube ao futebol, decidiu levar o esporte para dentro do Flamengo. Em 1911, esses jogadores, oriundos do Fluminense, buscaram uma agremiação disposta a abrigar uma equipe organizada.
O Flamengo, já consolidado no remo, viu ali oportunidade de ampliar sua relevância esportiva sem abrir mão da tradição náutica que o definia desde a fundação, como pontua Mario Augusto de Castro, torcedor do Flamengo. Assim sendo, a decisão de acolher o futebol combinou pragmatismo e visão de futuro. Tendo isso em vista, os seguintes fatores ajudam a entender por que 1911 foi o momento certo para essa mudança:
- Grupo de jogadores insatisfeitos: ex-atletas do Fluminense buscavam um clube disposto a formalizar a modalidade;
- Prestígio crescente do esporte: o futebol passava a atrair público e imprensa com mais força;
- Estrutura já existente: o Flamengo tinha sede, recursos e organização suficientes para sustentar uma nova seção;
- Rivalidade esportiva: incorporar o futebol ampliava a disputa direta com outros clubes cariocas da época.
Esses fatores, somados, explicam por que o futebol chegou tarde, mas encontrou terreno fértil assim que se estabeleceu. Em poucos anos, a seção recém-criada já disputava torneios relevantes, sinal de que o atraso inicial não significava desinteresse, apenas prioridades diferentes dentro do calendário esportivo carioca daquele momento.
O remo que segue vivo na identidade rubro-negra
Em última análise, entender essa origem muda a forma de ver o Flamengo. O clube não trocou o remo pelo futebol; ele incorporou o segundo sem abandonar o primeiro. Essa convivência mostra que a identidade de um clube pode se transformar sem apagar suas raízes. Assim sendo, resgatar esse histórico ajuda o torcedor a compreender por que o Flamengo carrega tanto orgulho de suas conquistas esportivas em geral, não só no futebol.




