Análise de sexta: dia inconclusivo na montanha-russa portuguesa


Testes de pneus para 2021 e duas bandeiras vermelhas de 32 minutos no total fizeram pilotos e equipes perderem mais de uma hora de pista. Apesar disso, Mercedes é favorita em Portimão Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. Sede da 12ª etapa da temporada 2020 da Fórmula 1, o GP de Portugal. A montanha-russa portuguesa, um circuito cheio de subidas e descidas, uma reta de quase um quilômetro e curvas de todos os tipos. Um desafio inédito para pilotos e equipes, que elogiaram demais o traçado após os treinos desta sexta-feira, que acabaram atrapalhados por meia hora de testes obrigatórios com os protótipos dos pneus de 2021 no início do segundo treino e por 32 minutos de duas bandeiras vermelhas ocasionadas pela quebra no motor Honda da AlphaTauri de Pierre Gasly e depois pelo acidente infantil entre Max Verstappen e Lance Stroll.
Onboard: a melhor volta desta sexta em Portimão com Valtteri Bottas
Com tudo isso, as programações para a sexta-feira foram afetadas diretamente. As simulações de corrida foram realizadas apenas na primeira sessão e mesmo as tentativas de volta rápida em condições mais próximas às da classificação acabaram comprometidas pelas interrupções. O que deu pra ver claramente nesta sexta é que as condições de aderência serão dramáticas para pilotos e equipes. O circuito foi recapeado recentemente e a Pirelli foi conservadora em sua escolha, algo normal para pistas estreantes – com os três compostos mais duros de sua gama, o C1, o C2 e o C3. Tudo isso fez o espanhol Carlos Sainz, piloto da McLaren, comparar a tocada em Portimão ao drift.
Tudo isso deve proporcionar uma classificação emocionante e uma corrida imprevisível. Em todas as vezes em que as equipes arrecadam poucas informações na sexta-feira, ainda mais em um circuito novo, vemos surpresas nos momentos decisivos. Outro fator importante no Autódromo Internacional do Algarve é o vento, que varia de intensidade e de direção a todo momento. Tudo isso em uma pista muito técnica. Ingredientes para muita emoção neste sábado e domingo.
Diferença entre o desempenho dos pneus para pista seca no GP de Portugal
Pirelli
Horários e transmissões da Fórmula 1:
Horários das transmissões do GP de Portugal
InfoEsporte
O asfalto novo e o pouco uso do circuito após o recapeamento deixaram a pista muito verde mesmo na segunda sessão. Os pilotos acham, inclusive, que as condições de aderência não devem mudar tanto assim para a classificação e a corrida, o que complicará muito a vida deles. Outro fator é justamente o fato de os pneus serem duros demais, o que deve provocar vários erros, travadas e derrapagens controladas. Para completar, até como consequência da escolha dos compostos, é uma tarefa muito complicada deixar os pneus na janela de temperatura ideal para as voltas rápidas. Nesta sexta, chegamos a ver alguns pilotos dando até duas voltas de aquecimento para só então acelerar.
Valtteri Bottas foi um dos poucos pilotos a completar uma volta limpa nesta sexta em Portugal
Rudy Carezzevoli/Getty Images
As avaliações do ritmo de classificação das equipes acabaram comprometidas por tudo o que aconteceu no segundo treino livre, dos testes dos pneus de 2021 às duas bandeiras vermelhas. Muitos pilotos não conseguiram completar suas tentativas – Lewis Hamilton foi um deles e acabou apenas em oitavo. Já Valtteri Bottas, por sua vez, foi um dos poucos a completar uma volta limpa com os macios, para conseguir o melhor tempo do dia, com 1m17s940. Se as variáveis complicaram as conclusões, uma delas não deve mudar: a Mercedes é a equipe a ser batida. Seus pilotos elogiaram muito o acerto do carro, que já apresentou um bom desempenho de cara nesta sexta-feira.
Diferença entre os carros em ritmo de classificação no GP de Portugal
FOM
Depois da Mercedes, a RBR tem uma desvantagem de três décimos, apesar de Max Verstappen não ter completado uma boa volta por causa do acidente com Lance Stroll. Depois da equipe austríaca, o habitual equilíbrio na luta pela terceira força, com quatro equipes muito juntas: Renault, Ferrari, McLaren e Racing Point estão separadas por apenas um décimo, apesar de estarem meio segundo atrás das duas líderes.
Charles Leclerc teve um bom desempenho com a Ferrari nesta sexta-feira em Portimão
Rudy Carezzevoli/Getty Images
E a surpresa do dia, claro, foi a Ferrari (gráfico acima). Em uma pista com uma reta de quase um quilômetro, era esperado que o SF1000 fosse sofrer. Mas as novidades aerodinâmicas trazidas pelo time, principalmente na região do difusor, colocaram Charles Leclerc na quarta posição nos dois treinos desta sexta. O monegasco está otimista, mas confessou não saber a real situação da equipe neste fim de semana.
Diferença entre os carros em ritmo de corrida no GP de Portugal
FOM
E em ritmo de corrida? Bem, por causa do pouco tempo útil no segundo treino – cerca de 28 minutos – as equipes não conseguiram tantos dados assim para estabelecer um veredicto. Os engenheiros terão um enorme trabalho antes do terceiro treino livre para interpretar tudo desta sexta-feira e traçar um planejamento para a última sessão antes da classificação, programada para a manhã deste sábado.
Sem surpresas, a Mercedes parece ser a principal equipe também em ritmo de corrida, mas a equipe de engenharia do time admitiu que ainda não encontrou o acerto ideal para Portimão. Neste momento, para eles, as outras equipes ainda estão muito próximas. E vale lembrar sempre que a equipe alemã não vai usar o Dual Axis Steering (Sistema de Duplo Eixo, o DAS) nesta corrida. E este é um equipamento que ajuda muito no aquecimento dos pneus antes de voltas rápidas, largadas e relargadas.
Como os pilotos usaram os jogos de pneus no segundo treino livre para o GP de Portugal
FOM
O que esperar deste sábado?
Lewis Hamilton foi um dos pilotos que não conseguiu fazer simulação de classificação nesta sexta
Dan Istitene/F1 via Getty Images
Assim como nas últimas 12 corridas, deveremos ver mais um duelo entre os pilotos da Mercedes na luta pela pole. Neste ano, apenas Lewis Hamilton e Valtteri Bottas largaram na primeira posição em 11 GPs (a sequência conta o GP de Abu Dhabi de 2019, a última corrida do ano). Os pilotos das Panteras Negras buscam um recorde inédito para uma equipe na história da Fórmula 1: fazer todas as poles positions de uma temporada. Nem mesmo a McLaren de 1988, com o fantástico MP4/4 com Ayrton Senna e Alain Prost ao volante, conseguiu isso: na época, Gerhard Berger, de Ferrari, largou na frente no GP da Inglaterra.
Uma questão para ficarmos de olho neste sábado são os limites de pista: os pilotos tiveram dificuldades com eles nos dois treinos desta sexta-feira e várias voltas foram deletadas por causa disso. Um erro deste tipo na classificação pode ser decisivo para uma boa posição no grid. Outro problema: deveremos ver muitas reclamações quanto ao trânsito no Q1.
Autódromo Internacional do Algarve tem curvas de todos os tipos, inclusive este grampo em descida
Jose Sena Goulao – Pool/Getty Images
Muitas perguntas ainda estão no ar. Graining nos pneus macios, número de pit stops, aderência… Outro problema grave detectado nesta sexta-feira foi o resgate dos carros em caso de um problema: absurdos 32 minutos em duas bandeiras vermelhas simples. Esta demora na corrida pode ajudar a decidir o vencedor da prova, principalmente porque os pneus perdem muita temperatura em períodos longos com o safety car na pista. É torcer agora para que toda esta incerteza ajude a promover uma grande corrida na estreia da montanha-russa portuguesa na F1.
Uso e desempenho dos pneus nesta sexta-feira no Autódromo Internacional do Algarve
Pirelli
Perfil Rafael Lopes
Editoria de Arte/GloboEsporte.com

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